Anunciado na semana passada como pré-candidato ao Governo do Estado pelo Psol, o professor universitário Robério Paulino faz duras críticas aos principais adversários que ele terá disputa eleitoral de 2026 no Rio Grande do Norte. Em entrevista ao AGORA RN, o ex-vereador de Natal afirma que ainda que tanto o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), quanto o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) representam um retrocesso político e não possuem projetos capazes de mudar profundamente a realidade potiguar.
Sobre Allyson Bezerra, Paulino afirma que o prefeito de Mossoró abandonou o discurso que fazia contra as oligarquias potiguares para, hoje, estar alinhado a esses mesmos grupos. “Tanto ele como o outro candidato das oligarquias representa o passado, um retrocesso para o RN”, disse. “Esse senhor Alysson falava horrores das oligarquias do Estado há pouco tempo. Hoje mudou o discurso, está abraçado com elas. Dá para confiar?”, questionou.

Professor universitário e ex-vereador de Natal Robério Paulino foi confirmado como candidato ao Governo do RN pelo Psol – Foto: José Aldenir/Agora RN

Robério também mencionou denúncias envolvendo a gestão municipal em Mossoró, afirmando que o prefeito está “enrolado com graves denúncias”, o que, segundo ele, gera desconfiança na população. Para o professor do Instituto de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), as pesquisas eleitorais ainda estão em fase inicial e podem mudar ao longo da disputa.
A respeito de Álvaro Dias, Paulino afirma que o ex-prefeito representa um projeto político ligado aos setores mais conservadores da direita brasileira. O pré-candidato do Psol afirmou que Álvaro reúne “os setores neoliberais de direita mais radicais e retrógrados”, que defendem a redução do papel do Estado e a privatização de serviços públicos. Para ele, essa visão não atende às necessidades de uma população majoritariamente pobre. “Para eles, o Estado é um problema, tem que ser reduzido ao máximo. Mas em um país com tanta pobreza como o Brasil, o Estado também tem um papel civilizador, oferecendo escola pública, saúde pública e outros serviços essenciais”, afirmou.
Ao avaliar a passagem de Álvaro pela Prefeitura do Natal, Paulino fez uma crítica direta à gestão do ex-prefeito. “A gestão dele como prefeito de Natal foi pífia”, declarou. Segundo o pré-candidato, uma eventual eleição de Álvaro representaria um retrocesso tanto para o Rio Grande do Norte quanto para o Brasil, especialmente porque ele deve se alinhar politicamente ao bolsonarismo no cenário nacional.
Para ele, não basta criticar a política e continuar votando nos mesmos grupos tradicionais. “Não tenho dúvida de que sou o candidato mais preparado e que teremos as melhores propostas nessa eleição. Não viemos para ser apenas figurantes”, afirmou.
Críticas à gestão estadual
Paulino também fez críticas ao governo da governadora Fátima Bezerra (PT), embora tenha ressaltado respeito pela trajetória política da petista. Para ele, a gestão estadual poderia ter avançado muito mais em áreas fundamentais. O pré-candidato afirmou que chegou a apresentar propostas ao governo, como um plano de erradicação do analfabetismo, que não foram implementadas. “Pensamos que ela podia ter feito bem mais em oito anos”, afirmou.
Segundo Paulino, o Rio Grande do Norte enfrenta um atraso significativo em áreas estruturais, especialmente na educação. Ele destacou que o Estado possui cerca de 14% de analfabetismo, aproximadamente o dobro da média nacional, que gira em torno de 7%. “Isso significa que um em cada sete ou oito potiguares ainda não sabe ler e escrever em plena era da internet e das redes sociais”, disse. Como professor, afirmou sentir “profunda vergonha” dessa realidade.
O pré-candidato também criticou o atraso do Estado na implantação do ensino médio em tempo integral. De acordo com ele, estados vizinhos como Pernambuco, Piauí, Ceará e Paraíba já ultrapassaram a marca de 50% das matrículas nessa modalidade, enquanto o Rio Grande do Norte registrava apenas 13,3% em 2024. Pernambuco, por exemplo, chegou a quase 70% das matrículas no ensino médio em tempo integral. Para Paulino, esse atraso evidencia falhas estruturais na política educacional.
Apesar das críticas, Robério afirma que apoiará a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado. Em 2026, serão duas vagas em disputa. Para a segunda vaga, o nome do Psol é o ex-deputado estadual e vigilante Sandro Pimentel.
Desenvolvimento econômico
Além da educação, o professor apontou problemas na estrutura econômica do Estado. Ele afirmou que o RN perdeu capacidade industrial e depende excessivamente de poucos setores produtivos, como a indústria salineira e a exploração de petróleo. Segundo ele, a retração da atividade petrolífera após a saída da Petrobras não foi compensada por outras atividades econômicas.
Paulino também questionou o modelo de expansão das energias renováveis no Estado. Embora reconheça a importância das energias eólica e solar, ele afirmou que o modelo adotado gera poucos empregos e deixa pouca riqueza no território potiguar. Segundo ele, a maior parte dos lucros dessas atividades é transferida para empresas sediadas em outros estados, enquanto os equipamentos utilizados são importados.
Na avaliação do pré-candidato, o Rio Grande do Norte precisa adotar uma estratégia mais ousada de desenvolvimento econômico, baseada na industrialização e na substituição de importações. Ele afirmou que muitos produtos consumidos no Estado poderiam ser produzidos localmente, gerando empregos e fortalecendo a economia regional. “Entramos em um supermercado e vemos que quase tudo vem de fora. Até produtos simples poderiam ser fabricados aqui”, disse.
Propostas
Entre as propostas que pretende apresentar ao eleitorado, Paulino destacou a erradicação do analfabetismo em dois anos por meio de um grande mutirão educacional. A ideia seria mobilizar estudantes e professores de instituições como UFRN, IFRN, Uern, Ufersa e universidades privadas para atuar nas periferias e comunidades mais vulneráveis. Ele também propõe ampliar a educação integral para pelo menos 45% das escolas estaduais em quatro anos.
No campo ambiental, o pré-candidato alertou para o avanço da desertificação no semiárido potiguar e afirmou que a situação dos rios, açudes e barragens é preocupante devido ao assoreamento. Como resposta, propõe um programa de reflorestamento com o plantio de cinco milhões de árvores em quatro anos, com viveiros instalados em escolas e cidades do Estado.
Paulino também defendeu o fim da escala de trabalho 6×1, classificando o modelo como uma forma de “semiescravidão”. Segundo ele, a redução da jornada poderia ampliar a geração de empregos e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.













































